quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pintura Surreal




Sou escrava do desejo,
feitor desta ansiedade!
E no beijo que neguei,
nos carinhos que não fiz,
insana e cativa,
perdi
a minha sobriedade.

Despida
das vestes serenas
do meu ameno sossego,
eu, de segura e tranquila,
hoje só tenho equilíbrio
nas ondas,
no frio,
no brilho
desse cristal que hoje envolve
o meu vulto aprisionado
nessa taça de tequila.

Reprodução distorcida,
a cópia em sombras de mim
dança um bolero... Ravel?

Retorço-me na loucura
dos sons em meu coração.
Retumbam tambores,
trompetes,
pistons.
Sou contornos. E os relevos,
gritantes, suprarreais,
se agitam, assim, sem mais,
sobre um fundo em tom pastel.

Atada ao grilhão
das sombras da noite
em que eu não o quis,
a sua zumbi
almeja os açoites.
Talvez os vergões,
as chagas,
feridas,
que venha a criar
no dorso
dorido,
motivem em mim
o abrolhar das asas,
e salvem
a tempo
esta colibri.

Curiosidades:
• Do livro Vinhos, de Cecilia Ferreira em: Mélicos

6 comentários:

  1. Belíssimo deleite amoroso de renúncia e perdão!
    Abraço da Célia.

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    1. Célia que bom que a Rita enviou vc pra levantar meu astral! r*** Bjnhs

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  2. Desculpe o clichê, mas estou sem palavras. Seus versos me emocionaram...Vou pedir seu livro de presente de aniversário e já até sei quem me dará! rsrsrs Amei...obrigada por essa emoção!Beijosssss

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  3. Inebria-me os olhos e toca o meu coração o teu sensório versejar, Cecília. Que bela "pintura surreal"!

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    1. Sua apreciação é para mim um privilégio. Grata, Antenor.

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