terça-feira, 25 de outubro de 2011

A CULPA DO INOCENTE



Na vida tudo tem dois lados. E, na questão “ofensa”, há dois tipos de pessoas: os ofensores – do mal –, e os ofendidos – invariavelmente do bem!
Será?

Tá! Alguém pisa no seu pé com força, por exemplo, bem na unha encravada, no joanete, ou calinho que anda sensível. No susto você faz: Ai! E algumas pessoas se viram para ver o que aconteceu...

Imagine a cena: depois do “Ai!” você sorri sem graça tentando ser gentil com o sujeito. Mas, o dito cujo olha feio, não se desculpa, faz ar de ofendido, porque os outros em volta ouviram a sua exclamação de dor.




Poucos entenderam o que aconteceu, só viram o “pisador” olhar feio para você, viram você se encolher e viram que, pelo hábito da educação, foi você quem pediu desculpas por ter feito “Ai!”.

O pisante soube como se tornar o ofendido. Já você assumiu o papel do ofensor(a), do culpado(a). O tipo “ofendido” resolve ficar dias, anos, sem falar com você. Pode ser pior? Pode! Talvez a antipatia seja sem retorno e o “pisante de calos” leve outras pessoas a sentirem-se “ofendidas”.

Claro, o pisão é só um exemplo. As formas de se atingir alguém, até sem querer, são inúmeras. Mas, se você conseguiu se ver na cena e é do tipo que sofre se deixa os outros sem graça, pode ser um “ofensor” nato. Pois é...







Notícia boa: criaram “o infalível” detector de mentiras. Afirmam que ele se liga ao nosso cérebro no lugar em que a “culpa” habita. Quando a máquina acusar “culpa”, danou-se!







Infalível? Ah, tá! Temos o Bin Laden e as Torres Gêmeas; Lênin e Stalin matando muitos milhões de irmãos russos só para ficar com o poder e grana da coisa pública; Hitler, nazista, que não matava os irmãos de sangue como gostam de fazer os amigos comunistas/socialistas, mas matou todos aqueles com quem não desejou dividir o dinheiro da nação. Como seria ligá-los nessa máquina?

Será que sujeitos portadores de alguma espécie de culpa teriam provocado tais desastres humanos, feito o que fizeram, ordenado o que ordenaram?



Que espécie de remorso sente a menina que mata os pais só para namorar em paz, ou o casal que mata a filha da escritora Glória Perez acreditando que isso lhe dará mais sucesso, ou o pai que joga a própria filha pela janela para encobrir o crime da segunda esposa, a esposa que manda matar o ex-marido, a amasiada que mata a esposa do amante? Que tipo de culpa essas pessoas são capazes de sentir?







Por outro lado sabemos que há filhos que passam uma vida inteira se culpando pela separação dos pais, pela partida de um familiar que jamais voltou, mães que se martirizam por quaisquer problemas dos filhos perguntando-se o que poderiam ter feito de diferente mesmo diante de fatos que elas não teriam como ser culpadas?




O quanto pode ser absurda a suposta infalibilidade de uma máquina que considera o sentimento de amor e responsabilidade como confissão de delito, e entende na ausência de culpa (grave doença psíquica) um passe para a liberdade?

Uma atitude firme nem sempre traduz rudeza de caráter, pode ser apenas a face do que assume para si quaisquer responsabilidades. Há gente que carrega a culpa do mundo, chorando até pelos covardes sem alma e culpa zero, sempre dando aos traiçoeiros o direito de defesa, mesmo que não persiga para si tal direito.

E você, que aqui se lê, enquanto não se descobre um remédio para curar insensibilidade, ou para amenizar a sensibilidade excessiva, deve se contentar com o que é possível.

Na internet há receita para tudo: Ao aceitar um presente ele passa a ser seu, mas ao recusá-lo ele continuará pertencendo ao dono.


Ficou fácil: se lhe oferecerem ódio, raiva, inveja, vingança, ganância, corrupção?

=====================> RECUSE!


E... Só entre nós: vale rezar, muito, pela sanidade da humanidade e suas máquinas tão infalíveis quanto a bomba atômica.

Curiosidades:
Publicado em nove de outubro de 2011.Jornal Folha da Região.

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